13.2.09

Quem será o primeiro?

Impressões sobre o 9º Fórum Social Mundial
Victor Souza
Abeuense de Belém (PA)
Recém-formado em Direito


Dos dias 27 de janeiro a 01 de fevereiro foi realizado o "Fórum Social Mundial" na chuvosa Belém do Pará, e o "Amplificando", evento da Rede FALE (a favor da justiça).

Foram dias de "falar" da debilidade da condição humana, dos carentes de saneamento básico, de acesso à saúde, de alimentação. Variados povos, línguas, nações, e tribos, literalmente tribos, - haviam muitos indígenas por aqui - abriram o evento com marcha, cheios de coragem, enfrentando a chuva e o sol em favor dos seus direitos e os índios à terra que ocupam há mais de mil e quinhentos anos.

Nos espaços de diálogo, além da Rede Fale e de organizações cristãs internacionais das mais variadas denominações, católica e protestante, estavam presentes muitas ONGs e movimentos europeus com conhecimento de problemas do nosso país e com o apontamento de soluções para eles.

A Rede FALE debateu sobre "Cristianismo e Justiça" na quinta-feira, dia 29/01/2009, com a presença do Pastor Ariovaldo Ramos e “Políticas Públicas: um debate sobre a atuação de organizações religiosas na defesa de direitos” (foto abaixo) na sexta-feira. No dia seguinte um debate sobre Saneamento e Defesa de Direitos atraiu pessoas de vários lugares. Já no sábado houve culto na tenda Inter Religiosa, com a palavra do missionário Caio.

Ao fim do evento, nos reunimos na mesa de um bar, comemos e bebemos, com conforto, água, luz e comunicação, com tudo aquilo que desejamos para os outros, sem ainda necessariamente (saber) fazer com que isso chegue a todos.

Após a extensa semana de observação social, parei para pensar literalmente na contradição do momento de "recheios" de conhecimento, de alimentos e congratulações, em contraposição aos de dor, fome, falta de água, falta de conhecimento, de informação, de luz, de local seco e não úmido, limpo e não sujo, que muitas pessoas vivem.

Assim, fiquei triste ao realizar o exercício de empatia, de me compadecer (de me identificar com a dor do outro) que não poderia ser compartilhado com o meu ser que imaginava (vivenciava) a dor, pois a indignidade humana retira da alma até mesmo o pensamento de tristeza, fica a dor pela dor, a ausência de identidade, e o pior, ausência de informação, ou lembrança de que em algum lugar, seco, iluminado, regado a manjar e bebidas há pessoas discutindo como aquele que sofre poderia ter acesso a tudo isso.

Quem será o primeiro a convidá-lo para sentar à mesa? Será que convidaremos até o fim da festa?

Um comentário:

Abigail Aquino disse...

legal pacas o texto amigo
parabens