30.9.08

Eterno dependente

Fernando Costa
Candidato à assessoria auxiliar
ABU - São Luís (MA)


Muito se falou em 'Independência' no mês que se passou. Claro, como bons brasileiros, eu e o Policarpo Quaresma não poderíamos esquecer.

Durante o 'Fundamental', todos os anos, as crianças se agitavam pra ver quem iria ser o porta-bandeira, quem sairia segurando as placas com nomes da escola, frases bonitinhas sobre civismo... O momento é maravilhoso, pelo menos para a gurizada. E essa comemoração é porque a 'trocentos anos' (1822) 'Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon' ou o conhecido D.Pedro I, resolveu gritar 'Independência ou morte!'. Se bem que os motivos que o levaram a tal ato foram mais pessoais do que de caráter visionário, de um líder irresistível que arrebatasse multidões somente com um 'bom dia'.

Sempre me perguntei, 'Independência' tudo bem! Mas, 'Morte'? A quem ele se referia quando pronunciou Morte?. E cada vez mais me convenço que poderia ser um suicídio o que ele estaria anunciando, como daquelas pessoas que sobem numa torre e só se contentam quando o Datena começa a falar com elas. Mas, sabe de uma coisa? Contextualizando a frase do Primeiro rei do Brasil ela poderia ser assim: 'A Independência trará a morte'. Bem mais cristã esta frase, hein

Podemos falar de vários tipos de (in)dependência. Agora pouco ouvia o Dr. Dráuzio Varella falar sobre os primeiros momentos de um criança após sair do confortável e ao mesmo tempo apertado útero materno. Curioso que após 9 meses sendo alimentado pelo líquido amniótico, em alguns segundos tudo aquilo é interrompido, ao mesmo tempo em que o ar penetra nos pulmões da criança inaugurando-o e fazendo funcionar milhões de alvéolos (responsáveis pelas trocas gasosas), bem como uma série de acontecimentos nos instantes seguintes marcam o que chamamos de 'independência' do feto. Ah, sim! Agora a criança não precisa mais da mãe. Mero engano! É nesta hora que entra em ação o 'Super-híper-mega-gastro e astronomicamente valioso leite materno'.

E para quem pensa que independência faz agente viver melhor no mundo, aí vai o recado: nos primeiros meses de vida após o cordão umbilical ter sido cortado, a criança possui 10 vezes mais bactérias do que células em seu corpo. E é através do leite que ela vai adquirindo imunidade. Por isso, neste caso 'Dependência é vida'.
No entanto, temos de lembrar que nenhum outro tipo de conhecimento despertou no ser humano maior vontade de ser independente do que o conhecimento científico. Hoje mesmo pude ver o super computador com capacidade de informações de 60 mil portáteis, que fora construído por milhares de cientistas durante mais de duas décadas. Sabe o que esse computador se atreve a simular? O 'Big Bang', ou seja, a grande explosão que os cientistas afirmam ter originado tudo que vemos ao nosso redor.

É isso que é Morte! Essa busca desesperada por tornar-se independente, seja na ciência, na carreira, nos relacionamentos, nos sentimentos, nas artes e na cultura. Esse tipo de independência é pura Morte. Jesus nos advertiu sobre isso: 'Quem quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo'(Lc 9.23) e também: 'Quem quiser salvar a sua vida, a perderá'(v24). Se há um tipo de independência que gera morte, é a independência de Deus. A vida está nEle, tudo é por Ele e pra Ele, matemática e divinamente preparado com Seu cuidado. Para tanto, a dependência de Deus é vida, porque anula a 'vida do ego', traz à tona a fraqueza do ser e reconhece que precisa ser imunizado. Sem isso? Morte!

Recordo-me do título de um livro: 'Não tenho fé suficiente para ser ateu'. Acreditar que todas as informações sobre minha vida e os prazos que ela me dá (DNA) e sobre a assombrosa multiplicação dos seres e que os bilhões de corpos estelares foram fruto do acaso, ou da 'independência' de Deus, é no mínimo doença, se não Morte. Depender de Deus é mais que ouvir sua opinião ou realizar seus projetos. Depender de Deus é experimentar a preciosa essência da vida; perscrutar o majestoso mundo do prazer eterno e torrencial; anular a vida egoísta que jorra vulcanicamente dentro de nós e abandonarmo-nos aos cuidados de Deus. Faça tudo na busca incessante de encontrar-se como ser vivo, realmente Vivo. Porém, nunca se esqueça: Independência traz Morte. Sempre.

As opiniões expressas no texto são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, as posições da ABUB.

5 comentários:

Anônimo disse...

Olá, Fernando.vc é muito inteligente e sua percepção social, teológica e espiritual é muito interessante.
gostei bastante do seu texto.parabéns!Rsrs.Maria Godinho.

fernando disse...

Olá, Blogeiros. Acho interessante aproveitarmos o tema do texto:Dependência, para construírmos algo proveitoso. Além de divulgar o Site da ABUB, podemos ir comentando não só o "Eterno dependente", mas os demais textos.Podemos começar agora com uma sugestão>> Conte uma experiência de dependência de Deus em sua vida!Qualquer coisa, meu email é f.fernandocosta@hotmail.com

Anônimo disse...

Excelente ensaio. Deus o abençoe.

cursos de teologia disse...

Rico e abençoado texto!!!

Um abraço fratenal!!!

Cássia - ABU Valadares disse...

Parabéns pelo excelente texto Fernando! Que tenhamos a humildade e que sejamos tal como as crianças, totalmente dependentes. Conscientes da nossa inerente incompetência, tal como abordou o excelente autor, Brennan Manning, em seu livro "Evangelho Maltrapilho" da Ed. Mundo Cristão. Doce paz!